1 - Manejo ecológico de organismos espontâneos
A Agroecologia orienta-se para desenvolver agroecossistemas mais maduros, estrutural e funcionalmente análogos aos ecossistemas naturais. Esse enfoque encara os organismos espontâneos nos sistemas agrícolas como elementos constituintes que estabelecem interações ecológicas positivas com os cultivos e as criações. É exatamente esse o ângulo de abordagem dos artigos que compõem esta edição da Revista Agriculturas: experiências em agroecologia. Ao salientarem o fato de que a dinâmica das populações das chamadas pragas e doenças depende fundamentalmente da biodiversidade manejada no agroecossistema, os artigos deixam evidente a importância de se substituir o objetivo de eliminar os organismos espontâneos pelo de prevenir a explosão populacional dos mesmos.
Table of contents:
-
2 - 2written by Paulo PetersenO pensamento agronômico convencional difundiu a percepção equivocada de que os organismos espontâneos na agricultura devem ser eliminados das áreas de cultivo por se tratarem de pragas, plantas daninhas e pestes. Esse enfoque oculta o fato de que esses organismos são a expressão de desequilíbrios ecológicos gerados pela intervenção humana nos ecossistemas.
-
4 - 6written by Fábio Kessler Dal SoglioA tomada de consciência acerca dos impactos negativos do uso de agrotóxicos foi responsável pelos primeiros grandes movimentos em defesa de padrões produtivos alternativos aos pacotes tecnológicos disseminados na Revolução Verde. Após um século de desenvolvimento e uso indiscriminado desses produtos, a agricultura vive uma crise multidimensional. Esta edição da Revista Agriculturas, contudo, apresenta experiências de construção participativa de manejos sustentáveis de agroecossistemas que incorporam a presença de organismos não-desejados a partir de uma perspectiva ecológica.
-
7 - 10written by João Macedo Moreira , Melchior Naelson Batista da Silva , Adilson Alves Costa , Caliandro Daniel da Silva , Ranyfábio C. MacêdoApesar da derrocada da cotonicultura no semiárido, um número significativo de famílias agricultoras permaneceu cultivando o algodão como alternativa econômica compatível com a realidade local. Compreender essa capacidade e vocação da agricultura familiar de manejar os cultivos mesmo em contextos econômicos e ambientalmente desfavoráveis é condição primordial para desenvolver novas bases técnicas que possibilitem a convivência da atividade com os insetos-praga e que viabilizem o soerguimento das potencialidades econômicas do cultivo do algodão no semi-árido. Foi com base nesse princípio que um conjunto de organizações deu início à experiência apresentada neste artigo voltada ao desenvolvimento de sistemas agroecológicos de produção de algodão na região do Curimataú do estado da Paraíba.
-
11 - 14Milhões de agricultores do leste da África dependem dos cultivos de milho e de sorgo para garantir a alimentação e a geração de renda de suas famílias. Entretanto, a produção desses cultivos é gravemente afetada por insetos-praga como a broca-do-colmo e pela infestação da planta espontânea parasita Striga hermonthica. Diante disso, tornou-se necessário desenvolver alternativas acessíveis para lidar com as crescentes ameaças aos sistemas agrícolas familiares na África. O sistema empurra-puxa mostrou-se como uma estratégia técnica eficaz para cumprir esse objetivo. Ele combina conhecimentos sobre a ecologia da Striga e da broca-do-colmo, enfocando, em particular, as interações químicas que essas espécies mantêm com outros organismos do agroecossistema. Este artigo explica como o sistema tem sido adotado por agricultores quenianos.
-
15 - 17written by Simone Mundstock JahnkeA região do Vale do Rio Caí, Rio Grande do Sul, é caracterizada pela forte presença da agricultura familiar. As condições climáticas favoráveis à citricultura permitiram que essa atividade se desenvolvesse bem na região, em especial com a produção de tangerinas e laranjas para consumo fresco. Os pomares possuem entre dois e cinco hectares, e uma parcela significativa deles é manejada organicamente. O aprimoramento da produção ecológica de citros na região, entretanto, exige mudanças no entendimento do funcionamento dos agroecossistemas por parte dos agricultores. Em particular no que se refere à maneira como são percebidos os organismos espontâneos, em geral considerados pragas. Alguns desses organismos de fato podem causar sérios danos aos cultivos, como é o caso do minador-das-folhas-dos-citros. Para trabalhar com temas como esse é que, em 2000, associados da Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitros) e outros citricultores ecológicos da região iniciaram ações de pesquisa participativa ao se articularem com pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia da UFRGS e técnicos da Emater/RS e posteriormente, com os pesquisadores da Embrapa Clima Temperado.
-
18 - 20written by Nicole Rodrigues VicenteAtualmente o estado de Rondônia constitui a principal frente de expansão das fronteiras agropecuárias do país. A crescente exploração extensiva da pecuária bovina e do cultivo da soja provocou aumentos dramáticos das áreas subtraídas às florestas nativas da região. A produção de leite foi uma alternativa incentivada para fazer frente à queda da fertilidade das terras e, conseqüentemente, aos aumentos dos custos de produção das lavouras. Porém, tal como implementada, essa alternativa também mostrou logo suas fragilidades em razão dos impactos ambientais negativos ocasionados pelo superpastejo. Com o objetivo de diagnosticar e enfrentar os principais problemas produtivos vivenciados pela agricultura familiar no estado, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Rondônia e o Projeto Padre Ezequiel (PPE) promoveram, em 2001, alguns encontros regionais. As inovações agroecológicas estimuladas pelo projeto estavam orientadas fundamentalmente a intensificar a produção diversificada de alimentos para o autoconsumo familiar e para a venda, evitando a adoção de práticas danosas aos solos e à biodiversidade nativa.
-
21 - 24written by Steven R BelmainProblemas com roedores são enfrentados em comunidades rurais de todo o mundo. Ratos se alimentam dos cultivos, contaminam a comida armazenada, danificam as casas e outros bens e ainda transmitem doenças perigosas para pessoas e animais. Quando comparado com os insetos-praga, o controle de ratos e camundongos pode parecer difícil. No entanto, a experiência tem comprovado, que quando se emprega o conhecimento sobre a ecologia desses animais e ferramentas apropriadas, é possível reduzir significativamente a população de roedores, numa relação custo-benefício favorável. Nos últimos anos, vários países da Ásia e África têm conduzido pesquisas aplicadas sobre o manejo ecológico de roedores, envolvendo diversas instituições de pesquisa e extensão que trabalham em colaboração com comunidades rurais, visando a desenvolver estratégias eficazes de controle e cujos benefícios superem os custos. Este artigo trata do conhecimento gerado a partir dessas pesquisas, focando no trabalho desenvolvido nos vilarejos de Jakuni-para, Sowara, Sahapur e Anan-dapur, todos em Bangladesh.
-
29 - 32written by João Antonio Firmato de AlmeidaAs experiências vivenciadas pelo técnico da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), João Antonio Firmato de Almeida, popularmente conhecido como Jafa, trazem alguns ensinamentos importantes para os que enfrentam problemas com o controle de formigas cortadeiras. O artigo ainda traz dicas práticas para o manejo ecológico de formigas cortadeiras.
-
29 - 29
-
30 - 30
-
31 - 31

